
Falar sobre dinheiro ainda causa desconforto em muitas famílias. Para algumas pessoas, o assunto parece técnico demais. Para outras, traz vergonha, medo de julgamento ou a sensação de que só vale a pena discutir finanças quando existe um problema urgente para resolver.
É justamente por isso que a Global Money Week chama atenção todos os anos. A campanha propõe uma mudança importante: tratar o dinheiro como parte da vida real, com espaço para perguntas, aprendizado e conversa aberta. Em 2026, o tema da iniciativa é “Smart Money Talks”, traduzido no Brasil como “Falar de dinheiro transforma”.
Ao longo deste artigo, vamos explicar o que é a Global Money Week, por que esse debate faz diferença na formação de crianças, adolescentes e jovens e como a Unicred também contribui para ampliar o acesso à educação financeira.
O que é a Global Money Week
A Global Money Week é uma campanha internacional de conscientização sobre educação financeira voltada principalmente para crianças, adolescentes e jovens. Ela é organizada pela OCDE e tem o objetivo de estimular desde cedo o desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e comportamentos que ajudem na tomada de decisões financeiras mais conscientes.
O tema deste ano reforça um ponto simples, mas relevante. Jovens lidam cada vez mais cedo com escolhas ligadas a consumo, internet, pagamentos, crédito e planejamento. Mesmo assim, nem sempre se sentem à vontade para falar sobre dinheiro. A proposta da campanha é mostrar que o conhecimento financeiro ajuda a iniciar essas conversas, reduz erros e cria hábitos mais saudáveis.
Por que falar sobre dinheiro ainda é difícil
O assunto “dinheiro” costuma entrar na conversa tarde demais. Em muitos casos, ele aparece só quando há aperto no orçamento, endividamento ou alguma decisão importante a tomar. Esse padrão transforma um tema cotidiano em tabu.
E o resultado é aparente, em 2026 atingimos um recorde histórico: 80,2% das famílias brasileiras relataram possuir algum tipo de dívida (cartão, carnê, consignado), segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).
Para crianças e adolescentes, quanto antes começarmos a normalizar esta conversa, melhor. Afinal, eles percebem que dinheiro é importante, mas não entendem exatamente como funciona. Sem referência clara, podem associar finanças a ansiedade, culpa ou silêncio. Já entre os jovens, a falta de espaço para conversar tende a abrir caminho para decisões impulsivas, consumo sem planejamento e dificuldade para distinguir desejo e necessidade.
Falar sobre dinheiro significa tornar o assunto natural. Explicar o que é orçamento e incluí-los nesta atividade. Mostrar como as escolhas de consumo afetam o mês. Explicar sobre o que é essencial e o que é supérfluo. E, principalmente, abrir espaço para perguntas.
O que muda quando a educação financeira começa cedo
A educação financeira ajuda a desenvolver repertório para lidar com escolhas, consequências e prioridades.
Na prática, esse aprendizado pode começar com situações simples. Uma criança pode entender por que nem tudo cabe no orçamento. Um adolescente pode aprender a comparar preços, reconhecer publicidade disfarçada nas redes sociais e perceber a diferença entre comprar no impulso e planejar uma compra. Um jovem já pode começar a construir noções de reserva, crédito, juros e organização financeira.
Esse processo faz diferença porque amplia a autonomia. Quando uma pessoa aprende cedo que dinheiro envolve planejamento, ela tende a tomar decisões com mais critério e menos ansiedade. E isso vale tanto para quem está começando a lidar com mesada e pequenos gastos quanto para quem já recebe renda e precisa administrar escolhas mais complexas.
Como esse aprendizado pode sair da escola e chegar em casa
Uma das ideias mais interessantes da campanha é que o conhecimento não precisa ficar restrito à escola ou a eventos educativos. Crianças e jovens também podem levar o assunto para dentro de casa.
Isso acontece quando o aprendizado vira conversa prática. Por exemplo:
- Quando um filho pergunta por que a família pesquisa antes de comprar
- Quando um adolescente entende como funciona um limite de gastos
- Quando um jovem aprende a identificar armadilhas e golpes digitais
- Quando pais e responsáveis conseguem falar sobre escolhas financeiras sem transformar o assunto em fonte de medo
Esse movimento tem valor porque aproxima gerações. Em vez de tratar o dinheiro como tema reservado aos adultos, a educação financeira cria um vocabulário comum. E quando isso acontece, a tendência é que as decisões do dia a dia fiquem mais conscientes e reflitam no futuro dessas crianças e adolescentes.
O tema “Falar de dinheiro transforma” vai justamente nessa linha. A proposta não é incentivar conversas abstratas, mas mostrar que o diálogo bem orientado ajuda a construir confiança, pedir ajuda na hora certa e desenvolver hábitos mais saudáveis ao longo do tempo.
O papel da Unicred na educação financeira
Na Unicred, a educação financeira é parte de um compromisso contínuo com a formação, a autonomia e o acesso à informação de qualidade. Por meio de iniciativas sistêmicas e de ações locais realizadas pelas cooperativas singulares, diferentes públicos como: crianças, jovens, universitários, adultos e pessoas em situação de vulnerabilidade social têm acesso a conteúdos que contribuem para a construção de um futuro financeiro mais consciente.
Entre as iniciativas sistêmicas está o Unicred.edu, programa gratuito de formação financeira e empreendedora voltado a universitários e profissionais já formados. O programa oferece conteúdos práticos e personalizados, inclusive para a área da saúde, com temas como finanças pessoais, investimentos, empreendedorismo, planejamento tributário e gestão de clínicas e consultórios.
Além disso, o Unipoupe, programa do Instituto Unicred, é voltado a jovens em situação de vulnerabilidade social e promove a educação financeira de forma acessível e conectada à realidade desses públicos, contribuindo para o desenvolvimento de autonomia e para a ampliação de oportunidades ao longo da vida.
Somando a essas ações, a Unicred também disponibiliza materiais gratuitos em seus canais, como Planilha de Controle Financeiro, Guia de Investimentos e conteúdos de educação financeira voltados a diferentes fases da vida.
Esse conjunto de iniciativas ajuda a mostrar que educação financeira não precisa ser restrita a momentos de crise. Ela pode, e deve, ser parte do cotidiano.
Educação financeira se constrói na prática
A Global Money Week lembra algo importante: falar sobre dinheiro não resolve tudo de uma vez, mas muda a forma como as pessoas se relacionam com o tema. Quando o assunto sai do campo do tabu e entra no campo do aprendizado, fica mais fácil desenvolver autonomia, senso crítico e responsabilidade.
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