
O ano de 2025 foi marcado por importantes ajustes no ambiente macroeconômico, tanto no Brasil quanto no exterior, refletindo a combinação entre política monetária restritiva, reacomodação do crescimento global e aumento das incertezas institucionais.
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Brasil em 2025: juros elevados, resiliência econômica e desafios fiscais
No Brasil, a condução da política monetária permaneceu firme ao longo do ano, com a taxa Selic atingindo 15% ao ano, o nível mais elevado das últimas duas décadas. Essa postura teve como objetivo conter as expectativas de inflação ainda pressionadas, em um contexto de mercado de trabalho aquecido, taxa de desemprego em mínimas históricas e persistência da inflação de serviços.

Apesar das condições financeiras restritivas, a economia brasileira mostrou capacidade de manter o crescimento ao longo de 2025, com crescimento do PIB estimado em torno de 2,2%.
O alto diferencial de juros em relação às economias centrais favoreceu a valorização do real e ajudou a manter a estabilidade dos fluxos financeiros, especialmente no primeiro semestre. Já na segunda metade do ano, os efeitos da política monetária começaram a aparecer com mais força, levando à desaceleração da atividade econômica, enquanto a inflação apresentou melhora na sua composição.
No campo fiscal, o resultado primário permaneceu relativamente controlado, em torno de 0,5% do PIB. Ainda assim, o déficit nominal seguiu elevado devido ao alto custo da dívida em um ambiente de juros elevados. Com isso, a relação dívida/PIB se aproximou de 79%, reforçando o risco fiscal no médio prazo.
Cenário internacional: Estados Unidos, Europa e China em foco
No cenário internacional, 2025 foi definido por maior volatilidade e incerteza, especialmente após mudanças relevantes na política comercial dos Estados Unidos. Ainda assim, a economia americana demonstrou resistência acima do esperado, enquanto a inflação permaneceu pressionada, sobretudo no setor de serviços.
Na Europa, a inflação retornou à meta sem uma desaceleração significativa da atividade, configurando um processo de soft landing. Na China, estímulos fiscais e industriais sustentaram um crescimento resiliente, apesar da moderação do comércio global.
Política monetária dos EUA e riscos institucionais para 2026
A política monetária americana assume papel central na configuração do cenário para 2026. Até o momento, a condução permaneceu alinhada a uma meta implícita de inflação próxima de 2%, em consonância com o mandato formal do Federal Reserve. No entanto, a redução da taxa básica para níveis próximos ao juro neutro (estimado em 3,0% ao ano) indica uma postura mais acomodatícia do que aquela sugerida por regras tradicionais de política monetária, especialmente em um ambiente em que a inflação subjacente segue persistente, com o Core PCE oscilando entre 2,5% e 3,0%.
O término do mandato do atual presidente do Federal Reserve, previsto para maio de 2026, adiciona um componente relevante de incerteza institucional. Simulações indicam que uma eventual condução flexível demais da política monetária, com cortes de juros abaixo do nível neutro, por exemplo, para 2,5%, poderia elevar de forma significativa a meta implícita de inflação para uma faixa entre 4% e 5%.
Esse movimento reacenderia o risco de desancoragem das expectativas inflacionárias, com potenciais impactos sobre os prêmios de risco, os juros de longo prazo e o comportamento do dólar, reforçando a importância da credibilidade institucional.
Cenário econômico projetado para 2026: crescimento, inflação e juros
Para 2026, o cenário base aponta para uma desaceleração gradual da economia brasileira, com crescimento do PIB estimado entre 1,5% e 1,7%, refletindo os efeitos defasados da política monetária restritiva. Em contrapartida, espera-se um ambiente mais favorável do ponto de vista inflacionário, com expectativas mais bem ancoradas, sinais de desaceleração do mercado de trabalho e menor pressão sobre os preços de serviços.
Esse conjunto de fatores cria espaço para o início de um ciclo de flexibilização monetária, com projeção de que a Selic encerre o ano em torno de 12% ao ano.

Política Fiscal brasileira em 2026: estabilidade frágil e limites estruturais
No âmbito fiscal, o cenário permanece caracterizado por uma estabilidade frágil. O cumprimento das metas fiscais dependerá, em grande medida, da recomposição de receitas, em um contexto de desaceleração da atividade e baixa probabilidade de avanços estruturais relevantes antes do ciclo eleitoral de 2026. Assim, não se projeta deterioração significativa no curto prazo, mas tampouco há espaço para uma melhora estrutural expressiva.

Ambiente global em 2026: crescimento moderado e incertezas controladas
No ambiente externo, projeta-se crescimento global de aproximadamente 2,13% em 2026, sustentado pela continuidade dos efeitos do afrouxamento monetário nos Estados Unidos, pela redução gradual das incertezas comerciais e por um cenário geopolítico relativamente mais estável.
A taxa básica americana tende a encerrar o ciclo de cortes próxima de 3,13%, embora o ritmo e a magnitude desse processo permaneçam condicionados à evolução da inflação e aos riscos institucionais.
Perspectivas de investimento para 2026: onde investir?
Renda fixa em 2026: oportunidades com queda de juros
Ao longo de 2025, o comportamento da curva de juros favoreceu o desempenho dos ativos prefixados com duração intermediária, especialmente aqueles com vencimentos de até cinco anos. Embora tenha ocorrido uma elevação adicional da taxa básica ao longo do ano, a curva iniciou o período em patamar elevado e apresentou fechamento gradual.
O último trimestre de 2025, contudo, foi mais desafiador, em função da piora das expectativas econômicas, sobretudo no ambiente externo. Esse movimento resultou na reabertura da curva de juros e no adiamento do início e da magnitude do ciclo de queda.
Prefixados
Para 2026, os títulos prefixados, especialmente aqueles com vencimentos entre dois e três anos, tendem a ser os principais beneficiários do cenário projetado. A expectativa de queda da Selic e de redução dos prêmios de risco macroeconômico favorece o fechamento da curva de juros, criando oportunidades relevantes de ganho por marcação a mercado. Ainda assim, considerando o contexto eleitoral e o potencial aumento de volatilidade, ativos com duração de até cinco anos apresentam melhor equilíbrio entre risco e retorno.
Indexados à inflação
Os títulos indexados à inflação também se mostram atrativos em um cenário de queda de juros. Papéis com duração de até cinco anos são mais sensíveis à execução da política fiscal e monetária, enquanto vencimentos mais longos refletem expectativas de reformas estruturais, com a recomendação de casar a necessidade de liquidez ao prazo de vencimento dos ativos. O patamar elevado das taxas reais, aliado a uma inflação projetada em torno de 4,1% em 2026, permite um retorno acima da inflação, além de proteção contra eventuais choques inflacionários.
Dentre os títulos públicos, os prefixados com duração de até cinco anos e os indexados à inflação com duração de até dez anos apresentam uma relação risco-retorno mais adequada.
Pós-fixados
No início de 2026, os ativos pós-fixados seguem relevantes como instrumentos de carrego e preservação de capital, especialmente enquanto as taxas de juros permanecem em patamar elevado.
Devido à baixa volatilidade, estratégias que combinem diferentes prazos dentro desse indexador contribuem para uma alocação mais equilibrada. Mesmo com a tendência de redução da taxa básica ao longo do ano, esses ativos continuam sendo a base das carteiras no Brasil, em função da volatilidade associada ao ciclo eleitoral e às incertezas fiscais.
No segmento de títulos privados, 2025 marcou o início da recomposição dos spreads, após um período em que esses prêmios atingiram níveis bastante comprimidos, sobretudo ao longo do processo de discussão da Medida Provisória nº 1.303/2025, que previa o fim dos incentivos tributários aos investidores pessoa física. Com a perda de validade do texto, houve elevação das incertezas no campo da política fiscal.
Para 2026, destacam-se debêntures, Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), com robusta estrutura financeira e rating acima de AA. Ativos prefixados e indexados à inflação apresentam maior potencial de desempenho, sem desconsiderar o papel defensivo dos pós-fixados, especialmente em títulos emitidos por instituições financeiras, como Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e Letras de Crédito Imobiliário (LCI).
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Renda variável: seletividade em um ano de maior volatilidade
A renda variável tende a se beneficiar do início de um ciclo de redução da taxa de juros, o que pode favorecer o desempenho da bolsa ao longo de 2026. Ainda assim, o ambiente exige prudência, dado o aumento potencial da volatilidade em função do calendário eleitoral e das incertezas no cenário internacional.
Ações – Brasil e Estados Unidos
Em 2025, o IMOB foi o principal destaque, seguido pelo Ibovespa, que acumulou valorização superior a 30%. Para 2026, as expectativas para o principal índice da bolsa brasileira são mais moderadas. Ainda assim, a preferência permanece direcionada à bolsa brasileira, que oferece uma relação mais favorável entre risco e retorno, apoiada em preços ainda descontados em comparação aos mercados internacionais e no potencial de valorização com a queda dos juros.
Estimativas indicam crescimento de aproximadamente 17% nos lucros das empresas brasileiras listadas, excluindo Petrobras e Vale, segundo o banco BTG Pactual, mesmo em um contexto de desaceleração econômica. Esse fator reforça a atratividade relativa do mercado local. Embora o calendário eleitoral adicione ruído ao mercado, o balanço entre risco e retorno permanece positivo, exigindo seletividade e disciplina na alocação.
Mercado internacional: cautela com valuations elevados
No mercado internacional, o foco permanece na bolsa norte-americana, especialmente no S&P 500, que continua exercendo papel central na dinâmica da renda variável global. Para 2026, projeta-se crescimento em torno de 11% nos lucros das empresas do índice, segundo estimativas do banco BTG Pactual, impulsionado sobretudo pelos setores de tecnologia, comunicações e energia.
Ainda assim, os níveis de valuation seguem elevados em termos históricos, o que reduz a margem de segurança e reforça a necessidade de cautela diante das incertezas sobre o ritmo e a continuidade dos cortes de juros nos Estados Unidos, em um cenário de inflação ainda sensível e riscos institucionais relevantes.
Nesse contexto, embora a renda variável internacional siga relevante como instrumento de diversificação, a assimetria de retorno favorece a alocação relativa na bolsa brasileira, que oferece maior potencial de valorização no cenário base projetado, ainda que acompanhada de oscilações mais pronunciadas no curto prazo. A construção das posições deve, portanto, privilegiar qualidade, seletividade e uma gestão ativa dos riscos, tanto no mercado doméstico quanto no exterior.
Ações mais defensivas e boas pagadoras de dividendos tendem a apresentar melhor desempenho em 2026. Carteiras recomendadas, fundos de investimento e ativos diretos com essas características mostram-se mais resilientes ao cenário projetado, assim como foram destaque nos anos anteriores.
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Fundos imobiliários
Uma das classes de ativos mais penalizadas pelo atual cenário de juros elevados são os fundos imobiliários. Mesmo com desempenho mais modesto em relação ao Ibovespa e ao IDIV ao longo do ano passado, podem surgir boas oportunidades tanto em carteiras recomendadas quanto em investimentos diretos em Fundos de Investimento Imobiliário (FII).
A perspectiva de início de um ciclo de corte de juros tende a ser favorável para a classe; contudo, trata-se de um mercado sensível às incertezas macroeconômicas e à condução das políticas monetária e fiscal, o que exige análise criteriosa e elevada seletividade.
Fundos Multimercados
A indústria de fundos multimercados teve 2025 como um ano de recuperação, após um dos períodos mais desafiadores de sua história em termos de rentabilidade. O IHFA, principal índice de referência da classe, apresentou desempenho superior ao CDI (15,33% versus 14,34%), revertendo dois anos consecutivos de performance abaixo do benchmark.
Sob a ótica de captação, a indústria manteve a tendência observada desde 2022, com migração expressiva de recursos para a renda fixa e resgates acumulados superiores a R$ 675 bilhões no período, sendo cerca de R$ 60 bilhões apenas em 2025.
Diante desse cenário, ocorreram diversas operações de M&A (fusões e aquisições) e encerramentos de atividades entre gestoras, sobretudo de pequeno e médio porte. Como consequência, um ambiente mais concentrado e com menor concorrência favoreceu os grandes players da indústria, que se beneficiaram do processo de consolidação.
Para 2026, a expectativa é que os fundos multimercados continuem apresentando bom desempenho, apoiados em um cenário global no qual os mercados tendem a se mover de forma menos sincronizada com os Estados Unidos, ainda que o mercado americano siga exercendo forte influência sobre os preços dos ativos.
A coexistência de economias relevantes em diferentes estágios do ciclo monetário e econômico, como Brasil, Estados Unidos e Europa, tende a criar um ambiente mais favorável para estratégias diversificadas. Em termos de captação, projeta-se redução no volume de resgates, embora o saldo ainda deva permanecer negativo, dado que a taxa nominal de juros continuará em patamar elevado, mesmo com o início do ciclo de flexibilização.
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Conclusão: equilíbrio, diversificação e gestão ativa em 2026
A Renda Fixa segue desempenhando papel central nas estratégias de alocação em 2026. De forma geral, o ano pode ser positivo para a Renda Variável, embora com resultados mais moderados do que em 2025. No entanto, incertezas externas, como questões geopolíticas, e fatores internos do Brasil, como eleições e decisões econômicas do governo, exigem uma estratégia mais cautelosa e bem diversificada.
Por fim, é importante reforçar que as informações apresentadas neste conteúdo têm caráter informativo e educativo e não constituem recomendação de investimentos. Cada decisão deve considerar seu perfil de investidor, seus objetivos financeiros e seu momento de vida.
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Este material foi elaborado pela Unicred DTVM, para uso exclusivo e intransferível do seu destinatário, não podendo ser reproduzido ou distribuído a qualquer pessoa sem expressa autorização da Unicred DTVM. Nada nesse material constitui indicação de estratégia de investimento e tampouco constitui uma recomendação pessoal. Este relatório possui caráter informativo e educacional, não constitui material promocional e não foi produzido como uma solicitação de compra ou venda de qualquer ativo ou instrumentos financeiros relacionados em qualquer jurisdição.
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