2026 em foco: os sinais recentes da economia no Brasil e no exterior

A última semana foi marcada por divulgações relevantes que contribuíram para uma leitura mais clara do ambiente macroeconômico, tanto no Brasil quanto no exterior. 

No cenário doméstico, os dados de inflação confirmaram um processo gradual de acomodação, com o IPCA acumulado em 12 meses em 4,26%, resultado dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Banco Central. Em paralelo, a atividade industrial segue mostrando sinais de estagnação no curto prazo. 

No ambiente internacional, os indicadores do mercado de trabalho dos Estados Unidos apontaram para uma desaceleração mais evidente na geração de empregos, reforçando a percepção de perda de fôlego da atividade.

No Brasil, o IPCA de dezembro avançou 0,33%, em linha com as expectativas de mercado. Com esse resultado, a inflação encerrou 2025 em 4,26% em 12 meses, acima do centro da meta, porém dentro das bandas estabelecidas pelo regime de metas. A abertura do índice mostrou surpresas baixistas em vestuário e despesas pessoais, enquanto artigos de residência apresentaram alta acima do esperado. Os núcleos de inflação, tanto de serviços quanto de bens industriais, ficaram próximos das projeções, mas seguem indicando pressões persistentes nos preços de serviços, refletindo um mercado de trabalho ainda relativamente resiliente. 

Esse conjunto de informações sugere que, apesar da convergência do índice cheio, a composição da inflação ainda requer atenção.

A produção industrial permaneceu estável na margem em novembro, confirmando um quadro de perda de dinamismo ao longo do quarto trimestre. A indústria de transformação registrou leve avanço, enquanto o setor extrativo apresentou retração relevante no mês. Na comparação anual, alguns segmentos específicos, como farmacêuticos e a própria indústria extrativa, mostraram resultados positivos, mas insuficientes para alterar o quadro geral. 

Exterior

Nos Estados Unidos, os dados do mercado de trabalho reforçaram uma leitura mais cautelosa. O payroll de dezembro apontou a criação de apenas 50 mil vagas, número significativamente abaixo das expectativas e inferior ao observado no mês anterior. Apesar disso, a taxa de desemprego recuou para 4,38%, movimento que, isoladamente, poderia sugerir melhora das condições do mercado de trabalho. No entanto, essa queda esteve associada principalmente a ajustes na taxa de participação, com maior contribuição de trabalhadores nativos, além de revisões negativas relevantes nos dados dos meses anteriores. 

Em conjunto, os indicadores sinalizam que o mercado de trabalho segue em processo de ajuste, sem evidências de um aquecimento consistente.

Mercados

O Ibovespa avançou 1,76% no acumulado da semana, retomando o patamar dos 163 mil pontos, impulsionado principalmente pelo movimento favorável das bolsas internacionais após a divulgação de um payroll norte-americano abaixo do esperado e pela leitura benigna da inflação doméstica. O índice encerrou a sexta-feira com alta de 0,27%, aos 163.370 pontos, e volume financeiro de R$ 22,2 bilhões. 

Entre as blue chips, o setor bancário apresentou desempenho majoritariamente positivo, enquanto as ações da Petrobras encerraram o pregão sem direção única, apesar da alta do petróleo, e a Vale recuou acompanhando o movimento do minério de ferro. 

No mercado de câmbio, o dólar à vista recuou 0,43% no dia, fechando a semana cotado a R$ 5,3658, movimento que ocorreu mesmo em um contexto de fortalecimento da moeda americana no exterior, refletindo fatores domésticos favoráveis e maior fluxo para ativos locais.

Navegue pelo índice