Atividade moderada e Ibovespa renovando máximas: veja como foi a semana

No ambiente internacional, a semana foi marcada pela divulgação de indicadores econômicos que reforçam a percepção de desaceleração gradual da economia americana, ainda que sem sinais de ruptura relevante na atividade. 

O PIB dos Estados Unidos referente ao quarto trimestre de 2025 avançou 1,4% em termos anualizados, resultado abaixo das expectativas e que refletiu, entre outros fatores, os efeitos da paralisação parcial do governo federal e a moderação do consumo das famílias. Apesar da perda de ritmo, o dado ainda indica expansão econômica, sugerindo um processo de ajuste mais suave do ciclo de crescimento.

No campo inflacionário, os números mantiveram o mercado em posição de cautela. O núcleo do índice PCE, principal medida de inflação observada pelo Federal Reserve, registrou alta mensal de 0,4%, levando a taxa acumulada em doze meses para 3,0%. A dinâmica dos preços segue pressionada sobretudo pelo setor de serviços, evidenciando que a convergência para a meta de inflação ainda não está completamente consolidada. Os dados reforçam a expectativa de manutenção de juros em patamar restritivo por período prolongado, com eventuais ajustes dependendo da confirmação de um processo mais consistente de desaceleração inflacionária.

Cenário doméstico

No Brasil, o destaque ficou por conta dos indicadores de atividade econômica, especialmente o IBC-Br, considerado uma proxy mensal do Produto Interno Bruto. O índice encerrou 2025 com crescimento acumulado de 2,5%, enquanto a leitura de dezembro registrou variação de -0,2% na margem, resultado interpretado como melhor do que o esperado pelo mercado. Na comparação com igual período do ano anterior, o indicador apresentou alta de 3,1%, com contribuição relevante do setor agropecuário, além de crescimento mais moderado dos segmentos de serviços e indústria.

O desempenho do IBC-Br sugere que a economia brasileira segue em trajetória de desaceleração gradual, mas mantendo algum grau de resiliência, especialmente em setores ligados ao agronegócio. A leitura predominante é de uma moderação ordenada da atividade, em linha com o ambiente macroeconômico mais restritivo observado globalmente e com os efeitos defasados da política monetária doméstica.

Mercados:

No mercado financeiro doméstico, o Ibovespa encerrou a semana em forte alta, renovando recordes históricos de fechamento e máxima intradiária ao superar os 190 mil pontos, impulsionado principalmente pelo avanço de ações de grande peso, como Vale e bancos. O índice subiu 1,06% no dia, aos 190.534 pontos, acumulando valorização semanal de 2,18%. Entre os destaques positivos estiveram Vale (+3,23%) e os principais bancos, enquanto o dólar à vista recuou 0,98%, encerrando cotado a R$ 5,1758 e acumulando queda de 1,03% na semana, movimento que reflete tanto o fortalecimento do apetite por risco quanto a entrada de fluxo para ativos locais.

Agenda econômica:
A semana terá a divulgação de indicadores relevantes para a avaliação do ritmo de atividade e inflação no Brasil. 

Segunda-feira: será divulgado o índice de Confiança do Consumidor, importante termômetro para acompanhar a percepção das famílias em relação à renda e ao emprego. 

Quinta-feira: destaque para o IGP-M, índice amplamente utilizado como referência para contratos e sensível à dinâmica de preços no atacado. 

Sexta-feira: a atenção se volta para o IPCA-15, considerado uma prévia relevante da inflação oficial, além dos dados de mercado de trabalho, com a taxa de desemprego e o CAGED, que podem oferecer sinais adicionais sobre a resiliência da economia doméstica e possíveis implicações para as expectativas de política monetária.

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