
A escalada das tensões no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, aumentou a percepção de risco internacional, sobretudo pela possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz. Esse ambiente elevou a volatilidade nos mercados e reforçou preocupações com possíveis impactos inflacionários decorrentes da alta dos preços do petróleo.
Nos Estados Unidos, os dados divulgados ao longo da semana indicaram sinais de perda de fôlego da economia. O relatório de fevereiro apontou destruição líquida de 92 mil empregos não agrícolas, e a taxa de desemprego subiu para 4,4%. As vendas no varejo de janeiro recuaram, reforçando a leitura de moderação da atividade econômica. Esse conjunto fortaleceria as expectativas de cortes de juros, mas a alta do petróleo e o risco de repasse inflacionário mantiveram o foco da política monetária na estabilidade de preços.
No Brasil, os indicadores macroeconômicos apontaram sinais de desaceleração gradual da atividade. O PIB do quarto trimestre avançou apenas 0,1%, confirmando a perda de dinamismo da economia ao final de 2025. Já a taxa de desemprego subiu para 5,4%, sugerindo início de moderação após um período de forte aquecimento.
Mercados: aversão ao risco
Nos mercados financeiros domésticos, o ambiente foi marcado por maior aversão ao risco ao longo da semana. O Ibovespa encerrou a sexta-feira com queda de 0,61%, aos 179.364 pontos, acumulando recuo de aproximadamente 5% na semana. No entanto, as ações da Petrobras tiveram forte valorização, impulsionadas pela alta do petróleo e pela repercussão positiva do resultado trimestral, ajudando a limitar perdas do mercado. Por outro lado, outras blue chips tiveram desempenho negativo, com destaque para a queda de Vale e dos principais bancos.
O dólar encerrou a sexta-feira em queda de 0,82%, cotado a R$ 5,2438, refletindo algum ajuste técnico no final do pregão. Ainda assim, a moeda acumulou alta de 2,14% na semana, movimento consistente com o aumento da aversão ao risco global e com o fortalecimento da demanda por ativos considerados mais seguros.
Agenda da semana
No Brasil, a agenda de 9 a 13 de março inclui a divulgação das vendas no varejo, seguido do IPCA. Já no fim da semana, será divulgado o crescimento do setor de serviços. Nos Estados Unidos, a agenda inclui os pedidos iniciais de seguro-desemprego, termômetro de curto prazo do mercado de trabalho, além de indicadores importantes de atividade e inflação, como PIB, PCE e as ofertas de emprego do relatório JOLTS, que ajudam a calibrar a condução da política monetária pelo FED.










