IPCA tem alta de 0,70% e acumulado fica em 3,81%

O IPCA de fevereiro registrou alta de 0,70%, resultado ligeiramente acima das expectativas de mercado (0,65%) e superior ao observado em janeiro (0,33%). No acumulado do ano, a inflação soma 1,03%, enquanto em 12 meses desacelerou para 3,81%, ante 4,44% no dado anterior, permanecendo dentro do intervalo da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. 

A composição do índice mostra que a alta foi concentrada em fatores pontuais: o grupo Educação avançou 5,21% no mês, respondendo por aproximadamente 0,31 p.p. do IPCA, enquanto Transportes subiu 0,74%, com impacto de cerca de 0,15 p.p., influenciado principalmente pelo aumento de 11,40% nas passagens aéreas. Já o grupo Alimentação e bebidas registrou variação de 0,26%, indicando dinâmica ainda relativamente comportada.

Embora o resultado tenha surpreendido ligeiramente para cima em relação ao consenso de mercado, esse não foi o nosso caso. Nossa projeção apontava para uma alta de 0,79% - ou seja, sob a nossa ótica, o dado veio mais comportado do que imaginávamos inicialmente. A leitura qualitativa do índice reforça que a pressão inflacionária permanece concentrada em itens sazonais, enquanto componentes mais ligados ao ciclo econômico seguem moderados, sustentando a percepção de continuidade do processo de desinflação gradual.

Expectativa de corte de 0,25p.p. da Selic

Nesse contexto, avaliamos que o dado não altera de forma significativa o balanço de riscos para a política monetária no curto prazo. Para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima semana, nossa expectativa é de um corte de 0,25 p.p. na taxa Selic, em vez do movimento de 0,50 p.p. anteriormente projetado. Ressaltamos, contudo, que essa revisão está mais associada ao aumento das incertezas no cenário geopolítico internacional do que propriamente ao resultado do IPCA divulgado hoje - o qual, em nossa avaliação, apresentou dinâmica relativamente benigna em sua composição.

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