Juros ainda altos, atividade mais fraca e sinais de alívio no exterior.

Na semana passada, os principais destaques do cenário macroeconômico estiveram concentrados na divulgação da ata do Copom e dos dados de produção industrial no Brasil, além de novos indicadores do mercado de trabalho nos Estados Unidos, que trouxeram sinais relevantes para as perspectivas de política monetária nos dois países.

Brasil – ata do Copom e indústria

No Brasil, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) confirmou a manutenção da taxa Selic em 15,0% ao ano, reforçando que o atual nível de juros permanece em campo restritivo. 

O documento indicou que, diante da melhora do cenário inflacionário e da evolução das expectativas, poderá haver início do ciclo de flexibilização monetária a partir de março de 2026, condicionada à continuidade da convergência da inflação e à manutenção da ancoragem das expectativas. O mercado atualmente precifica redução da Selic para 14,5% na próxima reunião e taxa próxima de 12,25% ao final de 2026.

No campo da atividade, a produção industrial recuou 1,2% na passagem de novembro para dezembro de 2025, registrando a maior queda mensal desde julho de 2024. Na comparação interanual, o setor apresentou avanço de 0,4% em dezembro, enquanto o acumulado de 2025 encerrou com crescimento modesto de 0,6%. Os dados reforçam sinais de desaceleração gradual da economia no início do ano, com desempenho ainda contido do setor industrial.

Estados Unidos – mercado de trabalho

Nos Estados Unidos, os indicadores do mercado de trabalho sinalizaram moderação adicional no ritmo de geração de vagas. O relatório de emprego do setor privado apontou criação de 22 mil postos de trabalho em janeiro, número significativamente inferior às expectativas do mercado. Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego subiram para 231 mil, em parte influenciados por condições climáticas adversas.

Adicionalmente, o relatório JOLTS mostrou queda no número de vagas em aberto para 6,542 milhões, o menor nível desde 2020, com a relação entre vagas e desempregados recuando para 0,87. O conjunto de dados sugere um ambiente de menor dinamismo nas contratações, porém sem sinais de deterioração abrupta do mercado de trabalho, reforçando o cenário de desaceleração gradual e menor pressão inflacionária nos Estados Unidos.

Mercados – bolsa e câmbio

No mercado doméstico, o Ibovespa encerrou a semana em alta de 0,87%, apesar da volatilidade observada ao longo dos pregões. Na sessão mais recente, o índice avançou 0,45%, aos 182.949,78 pontos, sustentado pelo desempenho positivo das bolsas em Nova York, mesmo diante da pressão negativa sobre ações do setor bancário após a divulgação de balanços. O volume financeiro do dia foi de R$ 29,7 bilhões.



 

No câmbio, o fluxo de entrada de capital estrangeiro direcionado à bolsa contribuiu para a valorização do real. O dólar à vista recuou 0,63% no dia, encerrando cotado a R$ 5,2204, e acumulou queda de 0,52% na semana, refletindo o ambiente externo mais favorável e o movimento de alocação para ativos domésticos.

Agenda da semana

Na agenda internacional, o principal destaque será a divulgação do relatório oficial de emprego (Payroll) de janeiro nos Estados Unidos, além do índice de preços ao consumidor (CPI) do mesmo mês, ambos fundamentais para calibrar as expectativas sobre a trajetória da política monetária americana.

No Brasil, o mercado acompanhará de perto a divulgação do IPCA de janeiro, com expectativa de contribuição baixista das tarifas de energia elétrica, compensada pela alta do ICMS sobre combustíveis e reajustes em transportes públicos. Os preços dos alimentos devem avançar abaixo da média histórica, enquanto a inflação de bens industrializados tende a desacelerar frente à prévia do IPCA-15. No campo da atividade, o IBGE divulgará os dados de vendas no varejo (PMC) e de receita do setor de serviços (PMS), ambos referentes a dezembro, oferecendo sinais adicionais sobre o ritmo da economia ao final de 2025.

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