Juros, dólar e guerra: entenda tudo na visão dos nossos especialistas.

A preocupação com a guerra no Oriente Médio e as decisões de política monetária no Brasil e nos EUA marcaram a semana. O fechamento parcial do estreito de Ormuz e a expectativa de que o conflito possa se alongar levaram o petróleo a passar dos US$ 119 dólares. Dessa forma, o Banco Central Americano confirmou as expectativas do mercado e optou pela manutenção da taxa de juros básica. A inflação em níveis persistentemente altos, ilustrada pela divulgação do índice de preços ao produtor, contribuiu para decisão.

No Brasil, o Tesouro Nacional fez uma série de recompras de títulos prefixados visando segurar as taxas de juros futuros e evitar uma disfuncionalidade nos mercados. As intervenções seguraram a curva de juros até o meio da semana. Após a decisão do Banco Central pelo início do corte da taxa de juros em 0,25 ponto percentual, a curva de juros passou a sofrer pressão altista, que culminou em um dia de forte abertura das taxas de juros na sexta-feira.

A despeito do IBC-Br mostrar uma reaceleração da atividade econômica de janeiro, com indicador mostrando alta de 0,80%, puxada pela indústria e vendas do varejo, a tônica de uma redução gradual da atividade econômica, por conta das taxas de juros em terreno contracionista, preponderou. 

No mercado doméstico, os ativos brasileiros apresentaram desempenho volátil, refletindo as mudanças de narrativa do conflito no Oriente Médio e suas consequências nos preços das commodities, sobretudo o petróleo. O Ibovespa fechou a semana em queda de 0,81%. A queda diária na sexta-feira foi de 2,25%, atingindo 176.219 pontos, com a mínima intradiária de 175.039.

o dólar fechou a sexta-feira cotado a R$ 5,3085, registrando alta de 1,79%, perto da máxima do dia - R$ 5,32. Durante a semana, a moeda americana permaneceu praticamente estável, com uma leve baixa de 0,11% em relação ao real.

A curva de juros acompanhou o clima de aversão a risco global e fechou a semana em forte alta. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 14,01% anteriormente para 14,42%; a taxa do DI para janeiro de 2028 aumentou de 13,58% para 14,175%; o contrato referente a janeiro de 2029 elevou-se de 13,585% para 14,11% e a taxa do DI para janeiro de 2031 subiu de 13,765% para 14,145%.

A próxima semana será crucial para as divulgações de narrativas quanto ao conflito no Oriente Médio. Na terça-feira, ocorre a divulgação da Ata do Copom, quando será detalhada a decisão de redução de juros. Na quinta-feira, será divulgado o IPCA-15, além da reunião do CMN e dos Pedidos de Seguro-Desemprego dos EUA. Já a sexta-feira marca a divulgação do IGP-M e da Taxa de Desemprego do Brasil.

 

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