Petróleo em alta e juros no radar. Entenda os impactos no mercado

A semana foi marcada por um ambiente de maior cautela nos mercados, refletindo tanto o avanço das tensões geopolíticas quanto a expectativa por decisões de política monetária. Já os dados recentes da economia brasileira indicam resiliência da atividade, enquanto a inflação e os preços de energia permanecem no radar das autoridades econômicas.

Contexto doméstico

No Brasil, o governo anunciou um pacote de medidas para conter a alta do preço do diesel, em meio ao avanço recente do petróleo no mercado internacional. A avaliação oficial é de impacto fiscal neutro, embora o mercado siga atento aos possíveis efeitos indiretos sobre preços, oferta e inflação.

Na atividade econômica, os dados de janeiro trouxeram sinais positivos. As vendas no varejo surpreenderam positivamente, com crescimento de 0,9% no varejo ampliado e 0,4% no varejo restrito, indicando um início de ano mais forte do que o esperado. O setor de serviços também apresentou expansão moderada, com avanço de 0,3% na margem em janeiro e crescimento de 3,3% na comparação anual.

Na inflação, o IPCA de fevereiro registrou alta de 0,70%, em linha com as projeções do mercado, levando a inflação acumulada em 12 meses para 3,8%, abaixo dos 4,4% observados em janeiro. Apesar da desaceleração do índice cheio, a composição apresentou pressões um pouco maiores em serviços e bens industriais subjacentes. Ainda assim, a projeção para 2026 permanece em torno de 3,8%, embora com balanço de riscos altista diante do choque recente nos preços do petróleo.

Cenário externo

Nos Estados Unidos, os dados de inflação trouxeram sinais mistos. O núcleo do CPI avançou 0,22% em fevereiro, mantendo a variação anual em 2,5%, enquanto o índice cheio subiu 0,27% no mês, ligeiramente abaixo das projeções. Por outro lado, estimativas para o núcleo do PCE indicaram alta próxima de 0,39%, sugerindo que as pressões inflacionárias subjacentes seguem relativamente resistentes. Esse conjunto de dados reforça a postura cautelosa do Federal Reserve e tende a adiar o início do ciclo de cortes de juros.

Mercados

No mercado doméstico, os ativos brasileiros apresentaram desempenho negativo ao longo da semana, refletindo o aumento da aversão ao risco no cenário global. O Ibovespa encerrou a semana abaixo dos 178 mil pontos (177.653 pontos), registrando queda de 0,95% no período. O movimento foi influenciado pela disparada dos juros futuros, que passaram a precificar a manutenção da Selic em 15%, além do ambiente adverso em função do conflito no Oriente Médio. O dólar avançou para R$ 5,31, com alta de 1,41% no dia e de 1,38% na semana.

Agenda econômica

No Brasil, será divulgado o IBC-Br, indicador de atividade considerado uma proxy mensal do PIB. Na quarta-feira, o principal destaque será a decisão de política monetária do Copom, que definirá o novo patamar da taxa Selic. No cenário internacional, também na quarta-feira, serão divulgados o PPI (Producer Price Index) dos Estados Unidos, indicador de inflação ao produtor, além da decisão de juros do FED. Já na quinta-feira, o foco recai sobre o mercado de trabalho americano, com a divulgação dos pedidos iniciais de seguro-desemprego, dado acompanhado de perto pelos investidores para avaliar a dinâmica da atividade econômica e das pressões inflacionárias nos Estados Unidos.

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