
O cenário econômico da última semana foi marcado pela divulgação da prévia da inflação, pelos dados do mercado de trabalho e pelas decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.
No Brasil, o IPCA-15 de janeiro registrou alta de 0,20%, ficando abaixo do esperado pelo mercado (+0,22%). No acumulado de 12 meses, a inflação medida pelo IPCA-15 atingiu 4,50%. Entre os principais grupos, destacaram-se Saúde e cuidados pessoais (0,81%), Comunicação (0,73%) e Artigos de residência (0,43%), enquanto Transportes (-0,13%) e Habitação (-0,26%) exerceram pressão desinflacionária no período.
No mercado de trabalho, os dados do Novo CAGED indicaram fechamento líquido de 618.164 vagas formais em dezembro, configurando o pior resultado para o mês desde a pandemia e acima do esperado pelo mercado, que projetava cerca de –472 mil vagas. Em 2025, o saldo acumulado de empregos formais foi de 1.279.498 vagas. O salário médio real de admissão em dezembro de 2025 foi de R$ 2.303,78, apresentando leve recuo em relação ao mês anterior.
A taxa de desemprego atingiu 5,1%, o menor nível da série histórica, com aproximadamente 5,5 milhões de desocupados, enquanto o rendimento médio real seguiu em trajetória de alta.
Em conjunto, os dados indicam que a economia opera próxima do limite de absorção da força de trabalho, com o ajuste recente ocorrendo mais pela desaceleração no ritmo de contratações formais do que por um aumento do desemprego, sinalizando um mercado ainda resiliente, porém em fase mais madura do ciclo econômico.
POLÍTICA MONETÁRIA BRASILEIRA
O Copom manteve a taxa Selic em 15,00% ao ano, em decisão unânime e em linha com as expectativas do mercado. O comunicado indicou que o ciclo de flexibilização monetária deve ter início na reunião de março. A expectativa é de um corte inicial de 0,50 ponto percentual, considerado mais consistente com o estágio atual do ciclo monetário.
CENÁRIO EXTERIOR
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve a taxa de juros no intervalo de 3,50% a 3,75%, em decisão alinhada às expectativas. Dois membros do FOMC votaram por uma redução mínima de 25 pontos-base, reforçando a divisão interna no Comitê. A decisão interrompeu um ciclo de três cortes consecutivos, e o comunicado destacou que a geração de empregos permanece baixa, a taxa de desemprego mostrou sinais de estabilidade e que a inflação segue “um pouco alta”.
MERCADOS
No mercado financeiro, o Ibovespa fechou o dia de 30/01 em queda de 0,97%, aos 181.363,90 pontos, após sucessivos recordes. Na semana, o índice acumulou alta de 1,40% e, em janeiro, ganho de 12,55%. O dólar à vista encerrou o pregão em alta de 1,04%, cotado a R$ 5,2476. No acumulado da semana, a moeda americana recuou 0,73%, enquanto no mês de janeiro apresentou queda de 4,40%.
AGENDA DA SEMANA
02/02 - PMI Industrial nos Estados Unidos.
03/02 - Ata do Copom, Produção Industrial no Brasil e oferta de empregos JOLTs nos EUA.
04/02 - divulgação da variação de empregos privados ADP.
05/02 - pedidos iniciais por seguro-desemprego.
06/02 - Payroll e taxa de desemprego nos EUA, que devem seguir influenciando as expectativas para a política monetária e o comportamento dos mercados.










