Na semana encerrada em 30 de abril de 2026, os mercados financeiros foram impactados por uma combinação de dados macroeconômicos relevantes e eventos geopolíticos, que contribuíram para uma reavaliação das expectativas de inflação, juros e crescimento, com efeitos tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
No cenário doméstico, o principal destaque foi a divulgação do IPCA-15 de abril, que registrou alta de 0,89% no mês e levou a inflação acumulada em doze meses para 4,37%. O dado evidenciou uma aceleração relevante em relação à leitura anterior, com pressões disseminadas entre diferentes grupos, especialmente alimentos e combustíveis. A leitura reforçou a percepção de que o processo de desinflação segue mais lento e sujeito a riscos, impactando diretamente a condução da política monetária. Em complemento, o Caged reportou a criação líquida de 228 mil empregos formais em março, evidenciando a resiliência do mercado de trabalho e sustentando a demanda doméstica, enquanto o IGP-M avançou 0,73% em abril, indicando manutenção de pressões no atacado.
Nesse contexto, a decisão do Comitê de Política Monetária de reduzir a taxa Selic para 14,50% ocorreu em um ambiente mais desafiador. Embora o ciclo de flexibilização tenha sido mantido, a comunicação indicou maior cautela, sugerindo que os próximos movimentos deverão ocorrer de forma mais gradual, em linha com uma inflação mais resistente e atividade ainda firme.
Mercados
No mercado financeiro doméstico, os ativos apresentaram recuperação parcial ao longo da semana. O Ibovespa encerrou o último pregão em alta de 1,39%, aos 187.317 pontos, recuperando parte das perdas recentes. No acumulado de abril, o índice permaneceu praticamente estável, com leve variação negativa de 0,08%, mantendo desempenho expressivo no ano, com valorização de 16,26%. No mercado de câmbio, o real apresentou apreciação relevante, com o dólar à vista recuando 0,98% no último pregão e acumulando queda de 4,36% no mês, refletindo fluxo externo favorável e o diferencial de juros ainda elevado.
Nos Estados Unidos, o principal evento da semana foi a decisão de política monetária do Federal Reserve, que optou por manter a taxa de juros no intervalo entre 3,5% e 3,75%. A decisão veio acompanhada de uma sinalização de cautela, em um ambiente ainda marcado por incertezas inflacionárias e riscos associados ao cenário global, especialmente diante da recente elevação dos preços de energia. O posicionamento da autoridade monetária reforça a expectativa de que o processo de ajuste de juros seguirá dependente da evolução dos dados.
Paralelamente, o ambiente internacional foi influenciado pela intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio, especialmente envolvendo Estados Unidos e Irã. O risco de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz elevou significativamente os preços da commodity, adicionando pressão inflacionária global e contribuindo para um ambiente de maior cautela nos mercados.
Agenda econômica
Para a semana corrente, a agenda macroeconômica ganha relevância, com foco especial em indicadores de atividade e mercado de trabalho.
No Brasil, o destaque será a divulgação da produção industrial de março, que deve oferecer sinais adicionais sobre o ritmo de crescimento da economia.
Nos Estados Unidos, a atenção se concentra no relatório de emprego de abril, o payroll, além dos dados de mercado de trabalho como o relatório JOLTS, o ADP e os pedidos semanais de auxílio-desemprego, que serão fundamentais para calibrar as expectativas em relação à trajetória da política monetária. Indicadores de atividade, como vendas de moradias, encomendas de bens duráveis e sentimento do consumidor também complementam a leitura sobre a resiliência da economia norte-americana, em um momento em que o Federal Reserve mantém postura cautelosa.











