IPCA tem alta de 0,88% e acumula 4,14% em 12 meses

Na análise dos nossos especialistas, o IPCA de março, com alta de 0,88% no mês e 4,14% em 12 meses, confirma um quadro de inflação pressionada no curto prazo, claramente impactada pelo choque recente de petróleo e seus efeitos sobre combustíveis e custos ao longo da cadeia. 

Não é um dado trivial, pois nos aproxima do teto da meta e sinaliza uma interrupção, ao menos temporária, do processo de desinflação. Ainda assim, é importante evitar uma leitura linear. Há um vetor compensatório relevante em curso, que é a apreciação cambial. 

Com o dólar ao redor de R$5,03, parte do choque externo pode ser amortecida em moeda local, e para a inflação doméstica o que importa é justamente o preço em reais. A própria experiência brasileira nos anos 2000 ilustra esse ponto, quando ciclos de alta de commodities tiveram impacto limitado sobre a inflação em função de um real mais forte. Se esse movimento se repetir, é possível que o choque atual se mostre mais transitório do que persistente, reduzindo a necessidade de uma resposta mais dura da política monetária. 

Em síntese, o dado corrente é negativo, mas o balanço prospectivo ainda depende de forma crucial da dinâmica do câmbio.

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