
Os mercados globais encerraram a semana em ambiente de maior cautela, refletindo a combinação entre desaceleração de indicadores econômicos, incertezas em torno da política monetária americana e movimentos relevantes no mercado de commodities. O avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã pressionou os preços do petróleo, diante da expectativa de aumento da oferta global da commodity. Ainda assim, as principais bolsas internacionais registraram desempenho positivo, sustentadas pela percepção de que a atividade econômica segue resiliente, especialmente nos Estados Unidos.
Os dados divulgados ao longo da semana reforçaram os sinais de moderação da economia global. Na China, a produção industrial avançou 4,1% em abril, abaixo das expectativas, enquanto as vendas no varejo cresceram apenas 0,2%, reforçando o quadro de desaceleração da atividade. Na Europa, os PMIs preliminares continuaram apontando fraqueza econômica, especialmente no setor de serviços.
Nos Estados Unidos, os indicadores também mostraram perda de dinamismo da economia. A confiança do consumidor recuou de forma relevante em maio, refletindo os impactos da inflação de energia sobre a renda das famílias. Além disso, o Índice de Manufatura do Fed da Filadélfia, um dos principais termômetros antecedentes da atividade industrial americana, caiu de 26,7 para -0,4 pontos em maio, surpreendendo negativamente o mercado, que esperava leitura próxima de 18 pontos. O resultado evidenciou forte desaceleração do setor manufatureiro, com destaque para a queda dos componentes de novos pedidos e remessas, embora os indicadores de expectativas futuras ainda permaneçam em níveis historicamente elevados.
Nesse ambiente, a ata do Federal Reserve reforçou a percepção de que o processo de flexibilização monetária poderá ocorrer de forma mais lenta, diante de uma inflação ainda pressionada pelos custos de energia. A curva de juros dos Treasuries perdeu inclinação ao longo da semana, enquanto o mercado aumentou as apostas de que o Fed ainda poderá elevar os juros ao menos uma vez neste ano.
No Brasil, o ambiente doméstico continuou marcado por elevada sensibilidade aos temas fiscais e políticos. O anúncio de ampliação do bloqueio orçamentário de 2026 e o avanço das discussões relacionadas ao cenário eleitoral ampliaram a percepção de risco dos investidores, pressionando os ativos locais ao longo da semana. Apesar da melhora do fluxo cambial e da atuação do Banco Central no mercado de câmbio, a cautela predominou entre os agentes econômicos.
Na agenda econômica, os indicadores vieram mistos. O IGP-10 desacelerou para alta de 0,60% em maio, abaixo das expectativas do mercado, refletindo menor pressão dos preços no atacado. Já o IBC-Br recuou 0,67% em março na comparação mensal, indicando enfraquecimento mais intenso da atividade econômica ao fim do primeiro trimestre. Apesar da queda no mês, o indicador acumulou avanço de 1,3% no primeiro trimestre, compatível com um crescimento moderado do PIB no período. A arrecadação federal também surpreendeu positivamente, somando R$ 272,9 bilhões em abril, impulsionada pelo aumento das alíquotas de IOF e pelo bom desempenho do mercado de trabalho.
Mercados
Nesse contexto, o Ibovespa encerrou a sexta-feira em queda de 0,81%, aos 176.209 pontos, acumulando recuo de 0,6% na semana. O desempenho negativo ocorreu mesmo diante do avanço das bolsas americanas, refletindo principalmente o aumento das preocupações com a trajetória fiscal brasileira e a volatilidade política doméstica. O volume financeiro negociado permaneceu reduzido, evidenciando uma postura mais defensiva por parte dos investidores.
Entre os principais destaques da bolsa brasileira, as ações da Petrobras encerraram a semana em baixa, acompanhando a queda do petróleo no mercado internacional. Os grandes bancos também tiveram desempenho negativo, enquanto Vale apresentou leve valorização, sustentada pela estabilidade do minério de ferro. Entre os setores mais pressionados estiveram proteínas e construção civil, ao passo que siderurgia e mineração registraram recuperação relevante no período.
No mercado cambial, o dólar à vista fechou a semana cotado a R$ 5,02, com alta de 0,54% no pregão de sexta-feira, embora ainda acumule queda semanal de 0,78%. O movimento refletiu tanto a busca pontual por proteção em meio às incertezas domésticas quanto a continuidade do fluxo favorável para moedas emergentes ao longo da semana.
No mercado de juros, a curva brasileira apresentou fechamento dos vértices mais longos, em linha com a leitura de desaceleração da atividade econômica doméstica e com a percepção de que o Banco Central poderá retomar o ciclo de cortes da Selic nos próximos meses. Após a divulgação do IBC-Br mais fraco e da desaceleração do IGP-10, parte relevante do mercado voltou a precificar redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, levando a taxa Selic para 14,25% ao ano.
Agenda econômica
Para a próxima semana, o foco dos investidores permanecerá concentrado na trajetória da inflação e da atividade econômica, tanto no cenário internacional quanto no doméstico. Nos Estados Unidos, a divulgação do índice PCE — principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve — será o destaque da agenda, em um momento em que o mercado busca sinais mais claros sobre os próximos passos da política monetária americana.
No Brasil, a agenda econômica ganha tração ao longo da semana, com foco em contas externas, inflação e atividade. Na terça-feira, serão divulgados os dados de conta corrente e investimento direto no país referentes a abril. Na quarta-feira, o mercado acompanhará a divulgação do IPCA-15 de maio, indicador relevante para as expectativas de inflação e para a dinâmica da política monetária. Na quinta-feira, os destaques ficam para o IGP-M, o resultado do Tesouro Nacional e os dados da PNAD. Já na sexta-feira, a atenção se volta à divulgação do PIB do primeiro trimestre de 2026 e aos números do CAGED, que devem oferecer sinais importantes sobre o ritmo da atividade econômica e do mercado de trabalho no país.










