Mercados em queda e novas tarifas no radar

A combinação entre crescimento econômico robusto nos Estados Unidos e aumento das incertezas globais voltou a testar o apetite dos investidores por risco. Dados de emprego e atividade acima das expectativas levaram o mercado a reduzir as apostas em cortes de juros no curto prazo, enquanto novas tensões comerciais adicionaram preocupações ao cenário internacional.

No Brasil, os indicadores econômicos continuaram apresentando resultados positivos, mas os ativos locais permaneceram sensíveis aos movimentos do ambiente externo.

Cenário Global

Os Estados Unidos voltaram a divulgar dados acima das expectativas. O relatório de emprego mostrou a criação de 172 mil vagas em maio, praticamente o dobro do esperado pelo mercado. A taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3%, enquanto os salários avançaram 0,3% no mês e acumulam alta de 3,4% em 12 meses.

Os indicadores de atividade também surpreenderam positivamente. O ISM Industrial alcançou 54,0 pontos e o ISM de Serviços atingiu 54,5 pontos, ambos em território expansionista. Além disso, o relatório JOLTS apontou aumento das vagas em aberto para 7,62 milhões, reforçando a percepção de uma demanda por mão de obra ainda robusta.

No ambiente internacional, os investidores seguiram monitorando as negociações entre Estados Unidos e Irã e seus possíveis impactos sobre os preços de energia. Também ganhou destaque o anúncio de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos, ampliando as preocupações com o comércio global e seus reflexos sobre o crescimento econômico.

Brasil

Os indicadores domésticos continuaram apontando uma atividade econômica consistente. A balança comercial registrou superávit de US$ 7,8 bilhões em maio, resultado superior às expectativas e ao observado no mesmo período do ano passado. O desempenho foi sustentado pelo elevado nível das exportações e pelos preços ainda favoráveis de importantes commodities.

O fluxo cambial permaneceu positivo, com entrada líquida de US$ 0,7 bilhão no mês. Na atividade econômica, a produção industrial avançou 0,7% em abril, superando as projeções do mercado e reforçando a percepção de que o crescimento segue sustentado mesmo em um ambiente de juros elevados.

Apesar dos números positivos, a deterioração do cenário externo influenciou as expectativas dos investidores. O mercado passou a precificar uma postura mais cautelosa do Banco Central, reduzindo as apostas em cortes adicionais da Selic no curto prazo.

Dê olhos nos mercados

A semana foi negativa para os ativos de risco. Nos Estados Unidos, o S&P 500 recuou 2,2%, enquanto o Nasdaq caiu 4,3%, refletindo a alta dos juros americanos e a realização de lucros em empresas ligadas ao tema de inteligência artificial. No Brasil, o Ibovespa encerrou a semana com queda de 2,5%, acompanhando o movimento internacional. O real também perdeu valor frente ao dólar, registrando desvalorização de 2,3%.

Entre as commodities, o petróleo Brent avançou 1,2%, sustentado pelas incertezas geopolíticas. Em contrapartida, o minério de ferro caiu 6,3% e o ouro recuou 4,8%.

Agenda Econômica

No Brasil, o destaque será a divulgação do IPCA de maio, que deverá fornecer sinais importantes sobre a trajetória dos preços e as perspectivas para a política monetária. Também serão divulgados o IGP-DI e os dados de volume de serviços.

Nos Estados Unidos, as atenções estarão voltadas para o CPI e o PPI. Os resultados serão determinantes para ajustar as expectativas em relação aos próximos movimentos do Federal Reserve e ao comportamento dos juros americanos.

O que isso significa para os investidores?

A principal mensagem da semana é que a economia americana continua demonstrando resiliência, com atividade e mercado de trabalho sustentando um crescimento acima do esperado. Como consequência, a expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve, que no início do ano era amplamente projetada para o segundo semestre, perdeu força ao longo dos últimos meses. Com os juros americanos permanecendo elevados por mais tempo, os ativos globais seguem operando em um ambiente de maior seletividade, volatilidade e custos de capital mais altos.

No Brasil, embora os fundamentos econômicos continuem relativamente favoráveis, o desempenho dos ativos permanece fortemente influenciado pelo cenário internacional. Além disso, a perspectiva de um ciclo mais curto de flexibilização monetária doméstica também passou a impactar as expectativas dos investidores. Com menos espaço para cortes adicionais da Selic, parte do otimismo observado nos mercados locais recentemente tende a ser reavaliado, reforçando a importância da diversificação e da construção de portfólios equilibrados em um ambiente de juros ainda elevados e maior incerteza global.

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