Copom corta a Selic e Fed endurece o discurso: leia a nossa análise completa da semana

A semana foi marcada por decisões relevantes de política monetária e por indicadores que reforçam a percepção de desaceleração gradual da atividade econômica global. No Brasil, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando os juros básicos para 14,25% ao ano. 

Embora amplamente esperado pelo mercado, o comunicado adotou um tom cauteloso, mantendo em aberto a possibilidade tanto de continuidade quanto de interrupção do ciclo de cortes nas próximas reuniões. O Banco Central destacou que seguirá avaliando a evolução das projeções de inflação e os impactos de possíveis estímulos à demanda, que continuam sendo vistos como um risco para o processo de convergência inflacionária. O cenário-base ainda sugere um ajuste adicional de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto, o que levaria a Selic para 14,00% ao ano.

Os indicadores de atividade divulgados durante a semana trouxeram sinais mistos para a economia brasileira. As vendas no varejo decepcionaram ao registrar queda de 1,5% no conceito restrito e de 0,7% no conceito ampliado em abril, resultado abaixo das expectativas e que reforça a percepção de perda de fôlego do consumo no início do segundo trimestre. Os segmentos de combustíveis e atacado de alimentos foram os principais responsáveis pelo desempenho negativo, enquanto supermercados apresentaram maior resiliência. Por outro lado, o IBC-Br, indicador considerado uma prévia do PIB, avançou 0,5% em abril após retração no mês anterior, mostrando que a atividade econômica segue resiliente, sustentada principalmente pelos setores de indústria e serviços.

Na inflação, o IGP-10 surpreendeu positivamente ao registrar deflação de 0,30% em junho, influenciado principalmente pela queda dos preços no atacado industrial, refletindo o recuo recente do petróleo. Apesar disso, o índice ainda acumula alta de 2,1% em doze meses e os componentes ligados ao consumidor continuam mostrando resistência, com avanço de 0,56%, indicando que o processo de desinflação permanece heterogêneo entre os diferentes segmentos da economia.

Exterior

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve a taxa de juros inalterada, mas a mensagem transmitida ao mercado foi significativamente mais dura do que o esperado. As projeções de inflação foram revisadas para cima ao longo de todo o horizonte relevante e os chamados "Dots" — projeções individuais dos membros do FOMC — mostraram uma divisão crescente dentro do comitê. Dos 19 integrantes, nove passaram a projetar pelo menos uma alta de juros ainda em 2026, sendo que cinco deles indicam até duas elevações. A leitura predominante é de que a economia americana continua resiliente, enquanto a inflação segue desacelerando apenas de forma gradual, reduzindo o espaço para cortes de juros no curto prazo e reforçando a tese de juros elevados por mais tempo.

No cenário internacional, também chamou atenção a redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio. A assinatura de um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã, somada aos avanços nas negociações de cessar-fogo envolvendo Israel e Hezbollah, contribuiu para a queda do petróleo para níveis abaixo de US$ 80 por barril. O movimento trouxe alívio para os mercados globais, uma vez que reduz parte das preocupações relacionadas a pressões inflacionárias decorrentes da energia.

Mercados

Nos mercados financeiros, a semana foi marcada por um tom mais cauteloso dos investidores após as sinalizações mais duras do Federal Reserve. No Brasil, o Ibovespa encerrou a sexta-feira praticamente estável, com leve alta de 0,03%, aos 168.334 pontos, em um pregão influenciado pelo vencimento de opções sobre ações e com volume financeiro de R$ 27,5 bilhões. Apesar da estabilidade no último pregão, o índice acumulou queda de 1,64% na semana, refletindo um movimento de realização de lucros após a forte valorização observada ao longo dos últimos meses. Entre os destaques positivos estiveram Vale, que avançou 1,01% no dia, além de Azzas (+8,33%), Cyrela (+3,22%) e Magazine Luiza (+2,67%). Na ponta negativa, Minerva (-5,12%), Hapvida (-2,55%) e RD Saúde (-1,81%) lideraram as perdas. 

Nos Estados Unidos, os principais índices acionários tiveram uma semana de acomodação, com os investidores recalibrando suas expectativas para a trajetória dos juros diante da sinalização de que o Fed poderá manter uma postura restritiva por mais tempo. Já no mercado de câmbio, o dólar à vista encerrou a sexta-feira em queda de 0,2%, cotado a R$ 5,16, permanecendo relativamente estável ao longo da semana, sustentado pelo diferencial de juros favorável ao Brasil, mas ainda refletindo a cautela em relação ao cenário internacional.

 

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