
A semana foi marcada por sinais de acomodação da inflação no Brasil e pela manutenção de um cenário de juros elevados no exterior. O principal destaque doméstico foi a divulgação do IPCA-15 de junho, que avançou 0,41%, abaixo das expectativas do mercado. Apesar de a inflação acumulada em 12 meses ainda permanecer em 4,8%, a composição do índice foi mais benigna, reforçando a percepção de que algumas pressões inflacionárias começam a perder força.
Na política monetária, a ata do Copom e o Relatório de Política Monetária reforçaram um discurso cauteloso. O Banco Central reconhece uma melhora pontual no cenário inflacionário, favorecida principalmente pela queda recente do petróleo, mas segue enfatizando que os riscos continuam assimétricos para cima. A expectativa permanece de uma Selic terminal em 14,00%, com o último ajuste previsto para agosto, mantendo a condução da política monetária fortemente dependente da evolução dos dados econômicos.
A atividade econômica brasileira continua resiliente. O mercado de trabalho segue demonstrando força, com a taxa de desemprego recuando para 5,6% no trimestre encerrado em maio, o menor nível para o período desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012, e em linha com as expectativas do mercado. Apesar do cenário ainda aquecido, o ritmo de expansão do emprego mostra sinais de estabilização, enquanto a renda média real apresentou nova acomodação, indicando uma moderação gradual que pode contribuir para reduzir parte das pressões inflacionárias ao longo dos próximos meses.
Exterior
No cenário internacional, a principal mensagem continua sendo de juros elevados por mais tempo. Nos Estados Unidos, a leitura final do PIB do primeiro trimestre surpreendeu positivamente, com crescimento anualizado de 2,1%, acima da estimativa anterior, reforçando a resiliência da atividade econômica. Na inflação, o núcleo do PCE, principal indicador acompanhado pelo Federal Reserve, avançou 0,3% em maio e acelerou para 3,4% no acumulado em 12 meses, em linha com as expectativas do mercado. O conjunto dos dados reforça que a economia americana segue aquecida e que a inflação subjacente permanece resistente, sustentando a expectativa de manutenção dos juros em patamares elevados por mais tempo.
Outro fator relevante foi a redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que levou o petróleo Brent a recuar para aproximadamente US$ 73 por barril. Esse movimento reduz parte das pressões inflacionárias globais e contribui para um ambiente externo um pouco mais favorável para economias importadoras de energia, embora ainda insuficiente para alterar a postura mais conservadora dos principais bancos centrais.
Mercados
Nos mercados, o Ibovespa encerrou a semana em tom positivo, acumulando alta de 2,95% e fechando a sexta-feira aos 173.295 pontos, impulsionado principalmente pelo bom desempenho do setor bancário. O movimento reforça uma percepção mais favorável para os ativos domésticos, em meio à inflação mais comportada e à expectativa de que o ciclo de aperto monetário esteja próximo do fim. Na ponta negativa, Petrobras recuou acompanhando a forte queda do petróleo, enquanto a Vale também encerrou a sessão em baixa. No câmbio, o dólar à vista caiu 0,20% no dia, encerrando a semana cotado a R$ 5,16, refletindo um ambiente mais favorável aos ativos brasileiros. Já nos Estados Unidos, os investidores acompanharam a divulgação do PIB e do núcleo do PCE, indicadores que reforçaram o cenário de atividade resiliente e inflação ainda pressionada, mantendo no radar a perspectiva de juros elevados por um período mais prolongado.
Agenda da Semana
No Brasil, os destaques ficam para a divulgação do IGP-M de junho, do resultado do Tesouro Nacional, do resultado primário do setor público consolidado, do CAGED e da produção industrial de maio. No ambiente político, o mercado continuará acompanhando as negociações no Congresso antes do recesso parlamentar, com atenção para as discussões envolvendo a PEC do trabalho 6x1, a aposentadoria dos agentes de saúde e o projeto que amplia o teto do MEI. No exterior, o foco estará no mercado de trabalho norte-americano, com a divulgação do JOLTS e do payroll, além dos dados de PMI industrial da China, da prévia da inflação da Zona do Euro e do PMI de serviços europeu. Esses indicadores serão importantes para calibrar as expectativas em relação à trajetória dos juros nas principais economias globais.










