
A semana foi marcada por uma combinação de inflação ainda pressionada no Brasil, sinais mistos da atividade econômica global e a continuidade das incertezas geopolíticas. Apesar de alguns fatores contribuírem para um ambiente mais favorável aos mercados, os principais bancos centrais seguem adotando uma postura cautelosa, reforçando a dependência dos próximos dados econômicos.
Brasil
No cenário doméstico, o principal destaque foi a divulgação do IPCA de maio. O índice avançou 0,58% no mês, acima das expectativas do mercado, elevando a inflação acumulada em 12 meses para 4,7%. A surpresa ficou concentrada principalmente nos preços dos bens industriais, ainda refletindo efeitos indiretos do choque do petróleo. Por outro lado, a inflação de serviços continua apresentando sinais de desaceleração gradual.
Os dados de atividade também mostraram resiliência da economia brasileira. O volume do setor de serviços registrou alta de 1,2% em abril, desempenho superior ao esperado pelo mercado e que sugere retomada da atividade no início do segundo trimestre, embora indicadores antecedentes apontem para uma possível perda de fôlego nos próximos meses.
Diante desse contexto, o mercado volta suas atenções para a reunião do Copom na próxima semana. A expectativa predominante segue sendo de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, para 14,25% ao ano. No entanto, o ambiente de inflação mais desafiador e a economia ainda aquecida indicam que os próximos movimentos da política monetária deverão continuar sendo conduzidos com elevada cautela.
Cenário Internacional
Nos Estados Unidos, a inflação ao consumidor trouxe uma surpresa positiva. O núcleo do CPI, indicador que exclui itens mais voláteis como alimentos e energia, avançou 0,21% em maio, abaixo das projeções do mercado. O resultado reforça a percepção de que o processo de desinflação permanece em curso, ainda que de maneira gradual.
Apesar desse dado mais benigno, a leitura prospectiva continua exigindo prudência. Outros indicadores de inflação acompanhados pelo Federal Reserve sugerem que as pressões inflacionárias ainda não foram completamente dissipadas, o que deve manter a autoridade monetária dependente da evolução dos próximos indicadores antes de sinalizar mudanças mais relevantes na trajetória dos juros.
Na Europa, o Banco Central Europeu elevou sua taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 2,25%, em linha com o esperado. Embora a presidente Christine Lagarde tenha reforçado que as próximas decisões dependerão dos dados econômicos, as novas projeções indicaram uma inflação mais persistente, mantendo aberta a possibilidade de novos ajustes ao longo dos próximos meses.
Além dos fatores econômicos, o ambiente internacional foi influenciado pela redução temporária das tensões no Oriente Médio. Sinalizações sobre um possível acordo envolvendo Irã e Estados Unidos contribuíram para aliviar a aversão ao risco e pressionaram os preços do petróleo para baixo, trazendo algum suporte aos mercados globais.
Mercados
Os mercados encerraram a semana em tom mais positivo, refletindo a redução das tensões geopolíticas e a expectativa por decisões importantes de política monetária. No Brasil, o Ibovespa acumulou alta de 1,25% na semana, sustentado pelo apetite ao risco e pela perspectiva de avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã, apesar do pregão de sexta-feira ter sido marcado por maior cautela. No mercado de câmbio, o dólar fechou cotado a R$ 5,06, com queda de 1,86% no acumulado semanal, movimento favorecido pela melhora do ambiente externo e pela entrada de fluxo para ativos domésticos. Nos Estados Unidos, as bolsas também apresentaram desempenho positivo ao longo da semana, impulsionadas pela surpresa baixista na inflação ao consumidor e pela expectativa de que o Federal Reserve possa conduzir os próximos passos da política monetária com maior flexibilidade, ainda que o cenário continue exigindo cautela.
Agenda da semana
A semana será relevante para os investidores. No Brasil, a agenda começa na terça-feira, com a divulgação das vendas no varejo de abril. Na quarta-feira, serão conhecidos o IBC-Br, indicador considerado uma prévia da atividade econômica, e a tão aguardada decisão do Copom, principal destaque doméstico da semana.
Nos Estados Unidos, o foco estará na segunda-feira, com a divulgação da produção industrial de maio, e na quarta-feira, quando serão divulgadas as vendas no varejo e anunciada a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed).
Na Europa, os investidores acompanharão a produção industrial e a balança comercial na segunda-feira, além da divulgação da inflação de maio na quarta-feira, indicadores importantes para calibrar as expectativas em relação aos próximos passos do Banco Central Europeu.










