Com alta de 0,16%, IPCA de junho fica abaixo das expectativas do mercado

O IPCA de junho surpreendeu para baixo, subindo 0,16% frente a expectativas de mercado próximas de 0,31%-0,39%, levando o acumulado em 12 meses de 4,72% para 4,64% — ainda acima do teto da meta (4,5%), mas em trajetória de convergência. A leitura qualitativa, no entanto, é mais matizada do que o número cheio sugere.

Composição. O alívio foi concentrado, não disseminado: nosso índice de difusão estimado ficou perto de 55% — ou seja, quase metade dos itens pesquisados ainda subiu no mês. Praticamente todo o recuo veio de Alimentação e Bebidas (-0,24%, após +1,33% em maio). Do lado da pressão, Habitação (energia elétrica) e um efeito regulatório pontual em Transporte público seguiram elevados.

Núcleos. Nossa reconstrução aproximada de núcleos mostra desaceleração consistente há quatro meses na série ex-alimentação (0,70% em março → 0,27% em junho), e estabilidade da Dupla Exclusão (ex-alimentação e ex-habitação) em torno de 0,17% desde maio. Isso sugere que a melhora não é ruído de um único mês, mas os serviços de demanda ainda não mostram sinal claro de alívio.

Copom — agosto. A robustez multi-mês da desaceleração no núcleo aproximado reforça o argumento para a expectativa do corte de 0,25 p.p. já esperado para agosto (Selic a 14,00%). Não vemos, contudo, base nos dados para o Comitê sinalizar aceleração do ritmo: a estabilidade do núcleo de serviços e o risco de reversão em Alimentação (sazonalidade, El Niño no radar para o segundo semestre) sustentam a manutenção do tom cauteloso na comunicação.

Nossa leitura: dado reforça a probabilidade do corte em agosto, mas não resolve a incerteza sobre o ritmo do ciclo daqui em diante.

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