A semana foi marcada por elevada volatilidade no cenário internacional, em meio à persistência das tensões no Oriente Médio. As negociações por um cessar-fogo seguiram sem definição clara, enquanto o bloqueio do Estreito de Ormuz manteve os mercados em estado de atenção, com impactos diretos sobre os preços do petróleo, que registraram nova alta ao longo do período.
O noticiário foi caracterizado por sinais mistos, incluindo esforços diplomáticos e, ao mesmo tempo, indicações de instabilidade na região, contribuindo para um ambiente de maior aversão ao risco.
Ainda no cenário externo, a agenda foi marcada pela sabatina de Kevin Warsh no Senado americano, no contexto de sua indicação à presidência do Federal Reserve. Em suas declarações, Warsh destacou a inflação como um desafio relevante, associando sua dinâmica principalmente às políticas monetária e fiscal expansionistas dos últimos anos. O indicado avaliou o mercado de trabalho como próximo do pleno emprego e manifestou críticas à comunicação atual do Fed, especialmente ao uso de forward guidance, além de defender uma redução gradual do balanço da instituição, com comunicação prévia.
Nos Estados Unidos, os dados de atividade econômica surpreenderam positivamente. As vendas no varejo cresceram 1,7% em março, superando as expectativas. O núcleo das vendas — medida que exclui componentes mais voláteis e é mais diretamente relacionada ao consumo no PIB — avançou 0,7%, também acima do esperado. Parte desse desempenho foi influenciada pela alta dos preços da gasolina e por efeitos associados a restituições de imposto de renda.
No Brasil, o setor externo apresentou déficit em conta corrente de US$ 6,0 bilhões em março, equivalente a 2,7% do PIB. O resultado refletiu a desaceleração da balança comercial e a ampliação do déficit de serviços, impulsionado por custos mais elevados de fretes e maiores gastos com tecnologia, além de um ambiente de menor entrada de capital estrangeiro.
No campo fiscal, o governo federal anunciou o envio ao Congresso de um projeto de lei que prevê a utilização do excesso de arrecadação decorrente da alta do petróleo para reduzir temporariamente tributos federais sobre combustíveis, como PIS/Cofins e Cide. A proposta estabelece que os cortes sejam reavaliados periodicamente e vinculados à duração do cenário de preços elevados da commodity.
No âmbito político-institucional, avançou na Câmara dos Deputados a discussão sobre mudanças na jornada de trabalho. A Comissão de Constituição e Justiça aprovou a admissibilidade de propostas que tratam da redução da carga horária semanal, incluindo modelos de transição para 36 horas e a possibilidade de adoção de jornada de quatro dias, com o tema seguindo agora para as próximas etapas de tramitação legislativa.
No mercado doméstico, a semana foi marcada por correção nos ativos de risco. O Ibovespa registrou sua terceira queda consecutiva, pressionado principalmente pelo desempenho das ações ligadas ao setor de commodities e pelo ambiente externo mais incerto. No fechamento da semana, o índice acumulou desvalorização de 2,55%, encerrando aos 190.745 pontos. O movimento foi influenciado, em grande parte, pela queda das ações da Petrobras, em meio às oscilações nos preços do petróleo, além do desempenho mais fraco dos principais bancos. No câmbio, o dólar à vista recuou marginalmente no último pregão, voltando a operar abaixo de R$ 5,00 (R$ 4,9982), embora tenha acumulado leve alta de 0,3% ao longo da semana.
Agenda da semana
No Brasil, as atenções estarão voltadas para a divulgação do IPCA de abril, na terça-feira, e para a decisão de política monetária do Copom, na quarta-feira, quando também serão conhecidos o IGP-M e o resultado do Tesouro Nacional. Na quinta-feira, serão divulgados o resultado primário consolidado do setor público, a PNAD com a taxa de desemprego e o CAGED de criação de empregos formais, todos referentes a março. No campo político, seguem no radar a tramitação do projeto de lei relacionado à redução de tributos sobre combustíveis e o avanço das propostas de mudança na jornada de trabalho, além da sabatina no Senado do indicado ao Supremo Tribunal Federal.
Nos Estados Unidos, ocorre a decisão do FOMC na quarta-feira, seguida pela divulgação da prévia do PIB do primeiro trimestre e dos dados de renda e consumo pessoal (PCE). Na zona do euro, serão conhecidos a decisão do Banco Central Europeu, a prévia do índice de preços ao consumidor, o PIB do primeiro trimestre e a taxa de desemprego. No Reino Unido, o Banco da Inglaterra também anuncia sua decisão de juros. Na China, serão divulgados os índices de gerentes de compras (PMIs), enquanto no Japão ocorre a decisão de política monetária do Banco do Japão, acompanhada da divulgação do índice de preços ao consumidor de Tóquio.










