IPCA de abril fecha em 0,67%

O IPCA de abril avançou 0,67%, abaixo da expectativa de mercado (0,70%) e desacelerando frente aos 0,88% registrados em março. Ainda assim, a leitura qualitativa do dado foi mais hawkish do que o número cheio sugere isoladamente, com a inflação acumulada em 12 meses subindo de 4,14% para 4,39%, próxima ao teto da meta de inflação (4,50%).

Na composição, os principais destaques vieram de Alimentação e bebidas (+1,34%), Saúde e cuidados pessoais (+1,16%) — impactado pelo reajuste de medicamentos — e Habitação (+0,63%), enquanto Transportes desacelerou para apenas +0,06%, após alta de 1,64% em março.

Além disso, núcleos e inflação de serviços seguem em níveis elevados, reforçando a percepção de inflação mais persistente. Esse cenário ganha ainda mais relevância quando combinado com uma atividade econômica que continua resiliente mesmo com a Selic em 14,50%. O IBC-Br, por exemplo, avançou 0,6% na última leitura mensal, enquanto mercado de trabalho e setor de serviços seguem sustentando a demanda doméstica.

Nesse contexto, o principal insight talvez seja que a economia brasileira esteja hoje menos sensível à política monetária do que em ciclos anteriores. Mesmo diante de juros reais historicamente elevados, a atividade segue resiliente e a inflação continua resistente, o que reforça a perspectiva de um ciclo de cortes mais gradual e de juros elevados por mais tempo.

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