Ibovespa recua em meio à tensão global. Saiba mais:

A semana foi marcada por novos sinais de resiliência da economia americana e por indicadores domésticos que reforçam a percepção de atividade ainda sustentada no Brasil.

Nos Estados Unidos, o mercado de trabalho voltou a apresentar sinais de resiliência em abril, ainda que com indicadores mistos. O Payroll mostrou criação de 115 mil vagas, acima das expectativas do mercado, enquanto a taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3%. Os principais destaques positivos vieram dos setores de saúde, transporte e varejo, reforçando a percepção de que a atividade econômica segue sustentada mesmo em um ambiente de juros elevados.

No setor privado, o relatório ADP apontou abertura de 109 mil empregos, também acima das projeções, corroborando a leitura de desaceleração gradual do mercado de trabalho, sem sinais mais relevantes de deterioração da economia americana.

Já o relatório JOLTS indicou queda das vagas em aberto para 6,866 milhões em março, enquanto as contratações avançaram para 5,554 milhões, sugerindo um mercado de trabalho mais equilibrado, embora ainda aquecido. Além disso, os níveis de demissões seguem historicamente baixos, enquanto indicadores de difusão das contratações continuam apontando recuperação gradual do emprego. Em contrapartida, a desaceleração da massa salarial real começa a indicar possível perda de fôlego do consumo nos próximos meses. Nesse contexto, os dados seguem no radar dos investidores para calibrar as expectativas em relação aos próximos passos do Federal Reserve na condução da política monetária.

No cenário internacional, as atenções também permaneceram voltadas para o Oriente Médio. A perspectiva de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã contribuiu para acomodação dos preços do petróleo ao longo da semana, reduzindo parte da pressão recente observada nas commodities energéticas. Apesar disso, episódios pontuais de tensão seguiram presentes no radar dos investidores.

Na política monetária brasileira, a ata do Copom trouxe um tom cauteloso ao reconhecer os impactos do cenário internacional sobre a inflação e as expectativas inflacionárias. Apesar disso, o Banco Central manteve a sinalização de continuidade do ciclo de flexibilização monetária, ainda que sem indicar aceleração nos cortes de juros no curto prazo. A expectativa segue sendo de uma Selic encerrando o ano em 13,25%.

Na atividade doméstica, a produção industrial brasileira avançou 0,1% em março, acima das expectativas do mercado, marcando o terceiro mês consecutivo de crescimento da atividade. Na comparação com março de 2025, a indústria apresentou expansão de 4,3%, mostrando recuperação após a desaceleração observada no fim do ano passado. No acumulado do primeiro trimestre de 2026, a produção industrial avançou 1,4%, refletindo melhora tanto da indústria de transformação quanto do setor extrativo e reforçando a percepção de normalização gradual da atividade no início do ano.

No setor externo, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 10,5 bilhões em abril, apoiada pelo forte desempenho das exportações, especialmente da safra de soja. Além disso, o fluxo cambial permaneceu positivo, refletindo entradas robustas tanto no segmento comercial quanto no financeiro.

Ibovespa recua

No mercado doméstico, o Ibovespa encerrou a semana com desempenho negativo acumulado, refletindo a volatilidade observada ao longo dos últimos dias em meio à temporada de balanços corporativos, ao cenário internacional e à maior sensibilidade dos investidores às perspectivas para a economia americana e aos desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio. Apesar da recuperação observada no fechamento da sexta-feira, o índice acumulou queda de 1,71% na semana. Já o dólar voltou a perder força frente ao real, encerrando abaixo de R$ 4,90 e acumulando recuo semanal de 1,19%, movimento favorecido pelo fluxo cambial positivo e pelo ambiente de maior apetite global ao risco.

Agenda econômica

Para a próxima semana, o foco dos investidores estará concentrado nos dados de inflação e atividade econômica. No Brasil, o destaque será a divulgação do IPCA de abril, além dos números de vendas no varejo e volume de serviços. Já nos Estados Unidos, a agenda inclui a divulgação do CPI e do PPI de abril, além das vendas no varejo e da produção industrial, indicadores importantes para calibrar as expectativas em relação aos próximos passos da política monetária americana.

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