IPCA tem alta de 0,82% em setembro

O IPCA subiu 0,82% em setembro de 2026, além do esperado pelo mercado (0,76%) e acima da variação registrada em agosto (-0,32%). Com isso, o índice acelerou de 4,22% para 4,58% no acumulado dos últimos doze meses. 

O resultado de hoje foi basicamente uma reversão do efeito temporário do Bônus de Itaipu, que impactou a energia elétrica e trouxe deflação na leitura anterior do IPCA. No entanto, os preços de alimentos também subiram.

Os alimentos serão um ponto de preocupação para os próximos meses, em razão do fenômeno El Niño. Além disso, e que na nossa opinião é o maior risco assimétrico, é a continuidade das disrupções na oferta de derivados de petróleo em razão do conflito no Oriente Médio. Há uma grande disparidade de preços no Brasil em relação às cotações internacionais, e estes itens afetam não apenas os combustíveis em si, mas indiretamente outros segmentos devido aos preços de frete. 

A mediana de expectativas de mercado para 2027 subiu pouco mais de 50 bps desde o início do conflito. Isso revela, dentre outras coisas, a perspectiva de que as recentes subvenções do governo para os combustíveis serão revertidas em algum momento, à medida que o conflito se arrastar. O momentum benigno da inflação parece ter ficado para trás, e o IPCA deve ficar acima do teto da meta de inflação nos próximos meses.

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